No apagar das luzes de 2025, a Netflix lançou o filme Hyakuemu (100 meters, ou A corrida de 100 metros, como aparece no catálogo), no dia 31 de dezembro de 2025. O longa, no entanto, havia sido lançado originalmente no Japão em 19 de setembro do mesmo ano. Infelizmente, trata-se de uma obra ainda muito desconhecida, com menos de 30 mil membros no MyAnimeList — algo que não reflete em nada sua qualidade.
O filme é de autoria do mesmo criador de Orb: On the Movements of the Earth, obra bastante popular lançada em 2024 e concluída em 2025, o que já cria uma expectativa natural.
Sinopse:
Hyakuemu acompanha a história de dois velocistas rivais, Togashi e Komiya, que se conhecem ainda na infância. Togashi, um prodígio natural, ensina Komiya — determinado, porém sem talento evidente — a correr. Essa relação inicial acaba se transformando, anos depois, em uma rivalidade intensa quando os dois se reencontram nas pistas.
Eu só cheguei até Hyakuemu por conta de um colega de trabalho, que comentou que o filme seria lançado na Netflix. Foi uma surpresa completa. Um filme que eu sequer sabia que existia acabou se tornando, para mim, a melhor obra lançada em 2025.
Mais do que isso: foi o último anime que assisti no ano, encerrando 2025 com chave de ouro e apagando o gosto amargo que havia ficado após Air — que, inclusive, terá post aqui no site.
Produção técnica: movimento, corpo e humanidade
A animação é de altíssima qualidade, fluida e expressiva, utilizando rotoscopia, uma técnica da qual eu gosto muito e que já elogiei em obras como Aku no Hana. A escolha é perfeita: os movimentos são extremamente humanizados, algo essencial em uma obra esportiva, especialmente quando o foco está no corpo em ação, na respiração, no esforço e no limite físico.
Falando da narrativa — e sem entrar em spoilers — é muito interessante acompanhar a construção dos dois protagonistas. Eu sou particularmente fã de histórias que exploram talento x esforço, e Hyakuemu trabalha isso com muita sensibilidade.
Togashi e Komiya não são apenas arquétipos opostos; ambos têm conflitos, inseguranças e momentos de fragilidade. E isso se estende também a outros personagens que surgem ao longo da história, enriquecendo ainda mais o tema central.
Três tempos, uma mesma corrida
O filme é dividido em três grandes passagens temporais, e cada uma delas cumpre um papel fundamental:
1. A infância, quando os dois se conhecem. É aqui que vemos Togashi incentivar e ensinar Komiya a correr, plantando a semente de uma rivalidade que ainda não existe, mas que inevitavelmente surgirá.Paralelamente, vemos Komiya em outro momento de sua trajetória, também de forma isolada. Ele evolui, melhora, mas carrega consigo a ansiedade, algo que começa a ser trabalhado com a ajuda de Zaitsu, o recordista japonês.
É a partir desses dois caminhos que o reencontro acontece — e ele é excelente, surpreendente e, em certo ponto, imprevisível.
Confesso que, durante a segunda passagem, achei que o filme poderia acabar ali. Especialmente quando a terceira começa. Eu estava completamente enganado.
Mais do que vencer
Hyakuemu aborda muitos temas: talento, esforço, ansiedade, propósito. Mas o que mais me marcou foi sua mensagem central: o mais importante não é quebrar recordes, nem ser o melhor, nem o mais rápido — é se divertir, é continuar correndo.
O filme trata o esporte de maneira profundamente humana, sem romantizar excessivamente a vitória e sem transformar a derrota em fracasso absoluto. É uma obra que te envolve, te emociona e permanece com você depois que os créditos sobem.
Conclusão
Hyakuemu é, sem exagero, uma obra-prima. Um filme esportivo sensível, bem animado, bem escrito e sincero. Sem dúvidas, foi a melhor obra que assisti lançada em 2025.
Eu recomendo fortemente. E espero, de verdade, que mais pessoas descubram esse filme — porque ele merece muito mais atenção do que recebeu até agora.