Tomodachi Game acompanha um grupo de amigos que, de repente, são forçados a participar de jogos mortais (não literalmente) em que precisam lidar com dívidas, segredos e principalmente a confiança entre eles. O primeiro desafio é simples no papel: descobrir quem traiu o grupo. Mas como todo bom battle royale, nada é tão direto quanto parece.
Eu confesso: fui assistir Tomodachi Game esperando o pior. E talvez justamente por isso ele tenha me surpreendido positivamente, mesmo que eu ainda considere o anime mediano no geral. O gênero battle royale me atrai de alguma forma, mas a maioria das obras nele acaba caindo no mesmo ciclo: boas ideias, execução irregular e finais inexistentes. E aqui não foi muito diferente.
O que me pegou logo de cara foi o primeiro arco. Ele dá a base da história e é um dos pontos mais bem feitos da série. A dinâmica de tentar identificar o traidor dentro do grupo traz tensão e revela, aos poucos, o lado sombrio de cada personagem. E o anime não tem medo de mostrar como até relações de amizade podem esconder inveja, rancor e egoísmo. É tudo bem humano — e justamente por isso, incômodo de assistir.
Mas o grande destaque é sem dúvida o protagonista. Ele começa como aquele garoto bondoso e quase ingênuo, mas logo se revela alguém absurdamente inteligente, estratégico e até com um toque psicopata (sem exagero). Em certos momentos, parece que estamos vendo nascer um verdadeiro “monstro”, como até mesmo alguns personagens dentro da história comentam.
Quando o traidor é finalmente revelado — e sem spoilers aqui — eu fiquei me perguntando: “ok, e agora?”. Afinal, parecia que o anime girava em torno disso. Felizmente, a revelação é bem feita e a história consegue seguir sem perder o ritmo.
Na segunda parte, o anime ganha ainda mais fôlego: os protagonistas entram em um jogo em que estão em clara desvantagem, e o destaque vai para o embate entre o protagonista e um novo personagem igualmente brilhante. Esse duelo de mentes, por si só, já vale a pena.
O problema é o final. Ou melhor, a falta dele. O anime poderia muito bem ter encerrado no fim desse arco, mas escolhe seguir com mais dois episódios soltos e termina exatamente no início de outro jogo. E aí cai na maldição dos battle royales: sem continuação. Para quem quiser saber como tudo acaba, só lendo o mangá — que, diga-se de passagem, tem capítulos longos porque era lançado mensalmente.
Fora isso, tem alguns clichês do gênero, como fanservice desnecessário, mas ao menos são poucos e não chegam a atrapalhar. O elenco secundário até funciona bem dentro das propostas (cada um com suas fragilidades e podres), mas é inegável que a obra se sustenta mesmo no protagonista e na tensão psicológica.
No fim, Tomodachi Game não é ruim, mas poderia ser muito melhor. Se você curte o gênero, provavelmente vai se prender à trama como eu. Se não, pode achar bem qualquer coisa. E tudo bem — afinal, battle royales são mesmo esse terreno de altos e baixos.