Lazarus valeu a pena ?

 

Lazarus, o mais novo anime do diretor de Cowboy Bebop (ou nem tanto, visto que já faz um tempo desde o seu término), valeu a pena?

Quando foi revelado, Lazarus causou grande curiosidade. Seja por ser criado e dirigido por Shinichirō Watanabe, ou por se tratar de uma obra original — ou seja, haveria aquela curiosidade semanal para saber o que iria acontecer. Sua sinopse, inclusive, é bastante interessante:

No ano de 2052, o mundo celebra a descoberta de uma cura universal: o fármaco "Hapuna", criado pelo enigmático Dr. Skinner, promete eliminar todas as doenças humanas. A humanidade entra em uma nova era de prosperidade e esperança. No entanto, três anos depois, o próprio Skinner retorna com uma chocante revelação: Hapuna é, na verdade, uma sentença de morte com prazo marcado — todos que tomaram a droga irão morrer em breve.
Com o destino do planeta em risco, uma força especial chamada Lazarus é formada por agentes de elite do mundo todo. Sua missão: caçar Skinner e descobrir a verdade por trás do Hapuna, antes que a contagem regressiva para o fim da humanidade chegue ao zero.

A proposta de reunir personagens de várias partes do mundo é interessante, e entre eles está o brasileiro Axel Gilberto, o protagonista principal — embora outros também recebam destaque ao longo da trama. A série mistura ação, ficção científica e filosofia, numa tentativa ambiciosa de trazer questionamentos existenciais para dentro de um thriller futurista.

No geral, Lazarus é um anime bom, mas que deixa uma sensação constante de que poderia ter sido muito mais — algo que facilmente teria sido resolvido se tivesse o dobro de episódios.

A ideia central é boa e tem a cara do Watanabe: temas densos, questionamentos sobre a humanidade e uma estética estilizada. Algo que já dava as caras em Cowboy Bebop, por exemplo.

O desenvolvimento dos primeiros episódios mostra isso bem. As revelações sobre o Dr. Skinner são feitas aos poucos, e, em dado momento, começamos a perceber que ele era, na verdade, uma pessoa nobre, com ideais. Mas o que leva alguém assim a se voltar contra a humanidade? Essa é uma das questões que mais desperta curiosidade para o próximo episódio.

E, embora o anime até dê uma explicação para isso (e não irei citá-la para evitar spoilers), ela soa apressada e um tanto confusa. É uma motivação interessante, mas mal desenvolvida.

Alguns elementos simplesmente não funcionam. Eu separaria a história em três tramas, que o próprio anime apresenta e que se entrelaçam:

  • A trama principal, envolvendo a busca pelo Skinner;
  • A trama do exército;
  • O assassino enviado para matar Axel.

Esse último é uma das piores escolhas do anime, e sua existência é tão deslocada na trama que pouco contribui. O corte das cenas com o personagem não alteraria em nada a compreensão da história. Pareceu forçado de tão ruim.

O grupo Lazarus, que dá nome ao anime, também poderia ter sido mais explorado. Alguns membros têm bons momentos, mas a sensação é que faltou tempo e profundidade para desenvolver melhor suas histórias e motivações. Toda a empatia que podemos ter pelos personagens vem de seus diálogos no presente, uma vez que o anime não se dá (muito) ao trabalho de explorar o que os levou até ali. O próprio Axel poderia ter uma abordagem mais profunda em relação ao seu passado.

Além disso, o conflito com o exército merecia mais atenção. Foi abordado de forma corrida e pouco convincente, o que enfraquece um pouco uma reviravolta que aparece nos episódios finais.

🎬 Produção

Visualmente, Lazarus é muito competente. A animação feita pela MAPPA entrega boas cenas de ação, com bastante fluidez e realismo em seus movimentos. A trilha sonora continua sendo uma das qualidades dos animes do Watanabe, que faz excelentes escolhas musicais.

Conclusão

Lazarus é uma obra com boas ideias e questões filosóficas, sobretudo as que envolvem o Skinner, mas sofre com uma execução apressada e falta de foco narrativo. Ainda assim, vale a pena ser visto, especialmente por sua originalidade num cenário tão saturado.

Mas é inevitável a sensação de que, com um pouco mais de episódios e cuidado, Lazarus poderia ter sido ainda melhor.

Postagem Anterior Próxima Postagem