Nostalgia e o afeto por personagens antigos
Recentemente comecei a assistir o remake em CGI de Cavaleiros do Zodíaco. E, surpreendentemente, estou gostando. Mas tenho plena consciência de que boa parte disso vem da nostalgia. A série original fez parte da minha infância, então ver aqueles personagens novamente, mesmo com animação questionável, me traz certo conforto. No fundo, sei que se essa fosse a minha primeira experiência com CDZ, a opinião seria outra.
Assistir sem foco também influencia
Outro detalhe importante: estou vendo o anime no PC, enquanto trabalho (Não deveria, mas a ocasião permite). Isso muda tudo. O foco não está totalmente na história, o que deixa a experiência mais leve, quase como uma companhia de fundo. Se eu estivesse em casa, prestando atenção em cada detalhe, talvez reparasse mais nas falhas — e fosse bem mais crítico.
O humor do momento pode pesar (muito)
Um caso que ilustra bem como o estado emocional afeta nossa percepção é quando assisti Gokushufudou. Na época, eu estava estressado, sobrecarregado de trabalho e só queria rir de algo simples. E foi isso que a série me deu. Gargalhei tanto que dei nota 10 — e, honestamente, sei que teria gostado do anime em qualquer situação, mas o humor do momento potencializou minha reação. Talvez se estivesse num dia mais calmo, teria dado uma nota menor.
Idade e maturidade mudam a forma de ver os animes
Outro fator que molda nossa opinião é o tempo. Quando criança, meus animes favoritos eram Naruto, Bleach e Dragon Ball. Hoje, ainda gosto deles, mas enxergo muitos defeitos que antes eu simplesmente ignorava — desde furos de roteiro até personagens mal desenvolvidos. Já reassisti alguns episódios e, com o olhar mais maduro, minha avaliação mudou bastante.
O contrário também acontece: a primeira vez que vi Akira, achei chato e confuso. Anos depois, reassisti com outra cabeça — e passei a ter mais empatia pelo filme. A mudança não foi no anime, e sim na minha opinião.
Expectativas e influência da opinião pública
Não dá pra ignorar também o impacto das opiniões alheias. Se todo mundo diz que um anime é ruim, às vezes já vamos assistir esperando o desastre — e qualquer coisa acima disso parece boa. Outras vezes, o hype exagerado faz a gente esperar um clássico, e quando o anime é apenas “bom”, parece uma decepção.
Conclusão
A verdade é que assistir animes (ou qualquer obra de entretenimento) nunca é uma experiência 100% objetiva. Humor, ambiente, idade, expectativas e até nostalgia influenciam — e muito. Saber disso não é um problema, pelo contrário: torna nossa experiência mais humana e nos ajuda a entender por que tantas opiniões sobre uma mesma obra podem ser tão diferentes. No fim das contas, assistir anime é tão sobre a gente quanto sobre a história na tela.