Olá, leitor! No post de hoje, continuo a minha “análise” sobre Cavaleiros do Zodíaco — dessa vez, abordando a Saga de Hades. Para conferir a parte 1, onde falo sobre os 114 episódios da série clássica, clique aqui.
Lançados entre 2002 e 2008, os OVAs da Saga de Hades vieram para adaptar o arco final do mangá Saint Seiya, escrito por Masami Kurumada. Na trama, após os eventos da Saga de Poseidon, surge uma nova ameaça: Hades, o deus do Submundo, desperta e envia seus espectros à Terra para dar início a uma nova Guerra Santa.
Enquanto os Cavaleiros de Ouro enfrentam inimigos do próprio passado, Seiya e os outros precisam avançar por um novo e sombrio território, enfrentando adversários ainda mais poderosos.
A Saga de Hades é dividida em três arcos, totalizando 31 episódios:
- Santuário (13 episódios – 2002 a 2003)
- Inferno (12 episódios – 2005 a 2007)
- Elísios (6 episódios – 2008)
A primeira impressão ao assistir ao episódio inicial da Saga do Santuário é que os 13 anos desde o último lançamento fizeram bem para Cavaleiros do Zodíaco. O OVA começa de maneira surpreendente, com uma animação superior a tudo que já havia sido apresentado anteriormente. Destacam-se não apenas a qualidade gráfica, mas também o character design mais consistente e a paleta de cores mais escura, que combina com a atmosfera que o enredo propõe.
Dos três arcos (ou sagas, como o próprio anime os nomeia), a parte do Santuário é considerada a melhor — e é o anime mais bem avaliado de Cavaleiros do Zodíaco (clássico) no MyAnimeList. E eu entendo esse sentimento.
Essa é uma saga curiosa, pois Seiya e seus amigos — principalmente o protagonista — quase não aparecem (se compararmos ao anime anterior). O foco nesse primeiro arco está nos Cavaleiros de Ouro. Com o retorno de Hades e seus 108 espectros, vemos o Santuário ser invadido por rostos familiares: os Cavaleiros de Ouro mortos, que agora retornam como servos de Hades em busca da vida de Atena.
Para os fãs desses Cavaleiros, esse início é um prato cheio de fanservice. E serve para mostrar algo que já era possível notar no arco das Doze Casas: os Cavaleiros de Ouro não haviam lutado com todas as suas forças.
Sendo direto: a Saga do Santuário não é o melhor arco da Saga de Hades, na minha opinião — mas traz momentos excelentes. Dentre eles:
- A aparição de Shion de Áries, o antigo Mestre do Santuário, assassinado por Saga. Shion era mestre de Mu e sobrevivente da Guerra Santa anterior, ao lado de Dohko;
- A inversão do que vimos no anime clássico: antes, os Cavaleiros de Bronze tinham que atravessar as Doze Casas para salvar Atena. Agora, os Cavaleiros de Ouro precisam proteger a deusa dos Espectros e dos Cavaleiros Renegados;
- Lutas e mais lutas: se a Saga do Santuário é aclamada, muito se deve aos confrontos memoráveis.
Mu vs Máscara da Morte e Afrodite: presenciamos o Cavaleiro de Áries, um dos meus personagens preferidos, derrotando dois ex-Cavaleiros de Ouro sozinho.
Saga, Camus e Shura vs Mu: não considero um bom confronto, mas é importante destacar o retorno de três personagens marcantes, especialmente Saga.
Shion vs Dohko: o embate entre os dois sobreviventes da última Guerra Santa revela a verdadeira forma do Mestre Ancião — com direito a uma justificativa bem forçada para sua aparência idosa. E, aos poucos, já vou entrando nos deméritos que, consequentemente, fazem com que ela não seja a minha saga preferida entre as três.
Shaka vs Saga, Camus e Shura
Pra mim, a melhor luta. Não só da Saga do Santuário, mas de todo o anime. Shaka, junto com Mu, é um dos meus personagens favoritos — e um dos mais poderosos. Ele, sozinho, enfrentou três ex-Cavaleiros de Ouro simultaneamente, incluindo Saga, considerado por muitos o mais forte entre os 12.
Mas o brilho do confronto vai além das técnicas: está no que ele representa. Shaka reconhece que seus ex-companheiros não estavam agindo por vontade própria, mas ainda assim precisa enfrentá-los — e está disposto a morrer.
A temática da morte é profundamente abordada e está ligada ao desenvolvimento do personagem. No flashback de Shaka ainda criança, conversando com Buda, temos uma das frases mais impactantes da série:
“A morte não é o fim de tudo. A morte não é mais do que outra transformação.”
Outra cena memorável, ainda neste confronto, são as últimas palavras de Shaka:
“As flores brotam… e morrem. As estrelas brilham… mas um dia se apagarão. Tudo morre. A Terra, o Sol, a Via Láctea… até mesmo todo este universo não é exceção. Comparado a isso, a vida do homem é tão breve e fugidia quanto um piscar de olhos. Neste curto instante, os homens nascem, riem, choram, lutam, sofrem, festejam, lamentam, odeiam… e amam. Tudo é transitório. E então, todos caem no sono eterno chamado morte.”
Essa é, sem dúvidas, uma das duas cenas mais marcantes da Saga — e a segunda também envolve um Cavaleiro de Ouro, mas falarei dela mais adiante.
Finalizando as lutas a destacar: Milo, Mu e Aiolia contra Shura, Saga e Camus.
A luta para vingar a morte de Shaka e punir os traidores do Santuário. Aqui ocorre o choque de duas Exclamações de Atena — técnica proibida que já havia sido usada contra Shaka. O confronto termina sem vencedores, e descobrimos que os três não eram realmente traidores.
Finalizando os destaques positivos, temos a morte de Atena — para que ela pudesse ir ao Mundo dos Mortos confrontar Hades. Isso está diretamente ligado à morte de Shaka, que se deixou vencer de propósito para despertar o Oitavo Sentido, o Arayashiki, e deixar essa informação como uma mensagem para Atena.
Mas por que esse não é o melhor arco?
- Os espectros não têm um pingo de carisma. Por se tratar de um arco envolvendo Hades, naturalmente os capangas ocupam um tempo de tela considerável — mas isso não funciona quando esses personagens são ruins.
- Existe uma queda na qualidade da narrativa após a morte de Shaka — que foi o ponto alto da temporada;
- E o final do arco. Acredito que seria mais satisfatório se o desfecho ocorresse no ponto em que Shion revela toda a verdade para Seiya e seus amigos. Encerrar com eles já no Inferno não só foi uma má escolha, como também muito entediante.
A Saga do Inferno tem lampejos de bons momentos, mas esses são minoria. Ainda assim, vou citá-los antes de passar para os pontos negativos — que são a maioria:
- O surgimento de Hades;
- O plano de Orfeu;
- A reaparição de Shaka;
- A tentativa de dar maior importância ao Shun, criando um drama com o Ikki — que, inclusive, é um dos melhores elementos do arco.
Quanto aos deméritos:
- Os espectros, em sua maioria, não são cativantes, têm um design de personagem fraco e não transmitem sensação de ameaça;
- Os três juízes do Inferno, que deveriam ser fortes e apresentar um alto grau de perigo, não recebem o destaque necessário e acabam servindo apenas de escada para o Ikki;
- O plot de Shun ser o receptáculo de Hades é interessante, mas mal desenvolvido. Há momentos em que os espectros notam semelhanças com Hades, mas não é suficiente. Se esse elemento fosse trabalhado desde o início do anime — como personagens sentindo um cosmo divino ou maligno no Shun — teria sido mais impactante. Do jeito que foi feito, parece que Kurumada simplesmente inventou isso de última hora;
- As atitudes de Atena — como sempre. Ok, ela tinha um (bom) plano, revelado na saga final, mas será que precisava tentar impedir o Shaka? Ao menos uma explicação em off-screen teria sido bem-vinda.
As terríveis conveniências de roteiro
Esse é o maior defeito do arco — não que outras partes do anime estejam livres disso, mas aqui é onde isso mais salta aos olhos.
Após Atena ir aos Elísios junto de Hades, passando pelo Muro das Lamentações — que só deuses podem atravessar —, Shaka pensa em alternativas para que os cavaleiros destruam o muro.
- Ele diz que a luz do Sol é necessária para destruí-lo, mas como ele sabia disso? Nunca foi citado antes;
- Com a chegada de Dohko e o retorno de Mu, Aiolia e Milo, o Mestre Ancião explica que as constelações dos 12 Cavaleiros de Ouro formam uma elipse ao redor do Sol e, por isso, as armaduras possuem um pouco da essência solar. Conveniente, né? Mais uma informação que nunca havia sido citada;
- Após falharem na destruição, Dohko diz que seria por falta das doze armaduras estarem reunidas. E o que acontece? As armaduras restantes, magicamente, saem do Santuário e vão até o Muro das Lamentações;
- Não bastasse isso, todos os Cavaleiros de Ouro mortos voltam à vida, porque sim — o roteiro precisava disso;
- Eles conseguem destruir o Muro ao unirem suas forças na flecha de Aioros, dando destaque ao Cavaleiro de Sagitário, e então morrem (de novo);
- A cena de despedida é até bonita, mas, analisando friamente, não faz o menor sentido — por todos os absurdos citados acima.
Atravessando dezenas de bilhões de luzes, deixando para trás as trevas centenas de bilhões de vezes, finalmente chega-se a esse mundo, ao longe, na cabeceira do rio Aqueronte, no mundo dos mortos, campos infinitos se estendem para além do horizonte do rio Lete. Após a morte, há um paraíso para o qual vão somente aqueles escolhidos pelos deuses. Nesse lugar, não existe fome, guerras, sofrimento ou tristeza. É o paraíso eterno daqueles que foram libertados de todo sofrimento e desejos profanos. Esse lugar é chamado de Elísios.
Por ser a saga mais curta, Elísios vai direto ao ponto — o que falta em muitos momentos de Cavaleiros do Zodíaco. A parte mais “ok” do arco é o seu primeiro episódio, que eu consideraria um “entre arcos”, e que poderia estar na saga anterior. É quando os cavaleiros de bronze estão prestes a atravessar o Muro das Lamentações e se deparam com alguns obstáculos: os espectros e um dos Juízes do Inferno.
É nesse momento que vemos a importância das armaduras de bronze terem sido banhadas com o sangue de Atena lá na Saga do Santuário, pois é isso que possibilita a Seiya e os outros terem o direito de chegar até os Campos Elísios — sem contar que isso gera asas nas armaduras deles (útil… e que possibilita a venda de bonecos).
Chegando ao segundo episódio temos, para mim, o verdadeiro início do arco. A história da Pandora é abordada, trazendo uma nova camada para a personagem. Entendemos qual sua relação com Hades e como ela foi responsável pelo retorno dele e pelo surgimento de Hypnos e Thanatos — dos quais já irei abordar. A cena, ainda, traz referência ao mito grego da Caixa de Pandora.
Particularmente, eu não sentiria falta alguma se a história da personagem não fosse explorada, mas destaco esse grande acerto. E ainda serve de gancho para a ida de Ikki aos Elísios, uma vez que a armadura de Fênix não havia sido banhada com o sangue de Atena.
Nos Campos Elísios, onde o ápice da Saga Hades acontece, vemos o Seiya ferido. E lá surge Thanatos, o Deus da Morte e servo de Hades — por escolha própria —, que o ataca. Após o ocorrido, surge Hypnos, irmão gêmeo de Thanatos e Deus do Sono. Ele avisa que colocou Atena em um sono profundo, enquanto seu sangue é sugado por um vaso. Na ocasião, é mostrada uma cena com uma arte que eu acho muito bem feita (a última das 4 imagens abaixo).
Outro momento relevante, na Terra, é o surgimento de Seika, a irmã do Seiya, que depois de anos finalmente é encontrada por Marin. E o fato de ser Marin quem a encontra dá mais camadas à cena, visto seu carinho pelo Seiya, por saber como é perder um irmão, e também porque em alguns momentos se cogitou que ela própria fosse a Seika.
Voltando aos Campos Elísios, continuamos o confronto entre Seiya e Thanatos. Gosto que existem questões por trás desta luta, como a arrogância e o preconceito. O Deus da Morte constantemente subestima o Seiya por ser um humano e cavaleiro de bronze. Quando é golpeado por ele, fica incrédulo, como se aquilo ferisse seu ego. Não à toa, busca punir Seiya por isso, e o meio que encontra é atacando Seika, na Terra.
A cena em que os cavaleiros da Terra protegem Seika dos ataques de Thanatos, arriscando suas próprias vidas para que Seiya não deixe de vê-la, é arrepiante. Tudo isso enquanto depositam suas esperanças e chamam pelo nome do Cavaleiro de Pégaso.
Após isso, Shun e os demais cavaleiros de bronze chegam ao local onde Seiya se encontra e, juntos, enfrentam Thanatos — tudo para serem derrotados com facilidade. Eis que surgem as armaduras de ouro, mais uma vez, para salvar os protagonistas. O próprio Deus da Morte fica sem entender como aquilo ocorreu, afinal, as armaduras mais poderosas não haviam sido banhadas com o sangue de Atena. Sendo sincero, foi uma baita conveniência de roteiro, mas nesse caso dá pra passar.
A explicação, que até é boa (apesar de conveniente), é de que Poseidon despertou em Julian por um breve momento (afinal ele estava selado) e utilizou seus poderes divinos para enviar as armaduras até os Elísios. Apesar de parecer estranho um antigo inimigo ajudar os Cavaleiros de Atena, é compreensível — uma vez que o Deus dos Mares, à sua maneira, se preocupa com a Terra, que Hades deseja destruir.
E após serem derrotados e terem as poderosas armaduras de ouro destruídas pela primeira vez, Seiya, desmotivado e derrotado, ouve a voz de seus companheiros e de Atena. É neste momento que surge a Armadura Divina.
Particularmente, eu gosto bastante desse conceito. Fora que, na minha opinião, é a armadura com visual mais bonito de Cavaleiros do Zodíaco. Gosto ainda mais quando Hypnos cita que isso já havia acontecido anteriormente — algo que é explorado em Lost Canvas, apesar de ser um spin-off não canônico.
Mais uma vez, em sua arrogância, Thanatos fica indignado ao ver um humano utilizando uma kamui — a armadura divina. Mesmo assim, subestima o Cavaleiro de Pégaso.
Antes de cair, Thanatos questiona como um deus como ele pode ser derrotado por um humano como Seiya. Mas o motivo, que ele não percebeu, sempre esteve claro: sua arrogância ao subestimar o cavaleiro de Pégaso. Hypnos, seu irmão, é mais cauteloso e parece não subestimar os cavaleiros de bronze — ao menos não tanto quanto Thanatos.
Após derrotar Thanatos, Seiya vai até onde Atena se encontra e Ikki, pouco depois, o segue. Enquanto isso, Shun, Shiryu e Hyoga unem suas forças para lutar contra Hypnos. É neste momento que eles despertam suas armaduras divinas. Depois de certa dificuldade, os cavaleiros de bronze derrotam o Deus do Sono, que — assim como seu irmão — fica surpreso ao ser derrotado por “reles humanos”, segundo suas próprias palavras. É verdade que ele não os subestimou como o irmão, mas ainda assim não imaginava que pudesse ser vencido. Mais uma vez, a arrogância de um deus é um dos motivos de sua derrota.
Seiya e Ikki encontram dificuldade para destruir o vaso em que Atena se encontra. E é nesse momento que o Cavaleiro de Fênix desperta sua armadura divina, após literalmente entrar em contato com o sangue da Deusa da Guerra e Sabedoria. Acho que essa é uma das partes mais convenientes do arco — apesar de não estragar a experiência, como as conveniências da Saga do Inferno (ou talvez eu só esteja passando pano para a minha saga preferida).
Após verem que não estavam conseguindo destruir o vaso, os dois partem para o segundo plano: ir até o sarcófago de Hades e tentar destruir seu verdadeiro corpo, para que ele não venha a renascer.
Inclusive, esse é um elemento interessante. Hades, apesar de ter um corpo verdadeiro, sempre optou por se manifestar em um receptáculo. Portanto, mesmo que o hospedeiro fosse derrotado, em algum momento ele poderia despertar novamente. Ao destruir seu corpo original, isso não seria mais possível. A ideia é excelente — o que eles não esperavam é que o Imperador do Submundo iria despertar.
O melhor final possível
Após o despertar do verdadeiro corpo de Hades, Seiya e seus amigos o confrontam, mas a força deles não é o bastante. Seiya, depois de muito esforço, é o único que consegue ferir Hades — mesmo que minimamente. E é quando o deus lembra que é somente a segunda vez que um humano consegue feri-lo, sendo o primeiro outro cavaleiro de Pégaso que tinha uma aparência semelhante à de Seiya. Algo que, mais uma vez, seria aproveitado em Lost Canvas.
Após quase serem derrotados, Atena os protege com bolhas que não seriam destruídas e que os levariam até a Terra. É quando descobrimos que a Deusa da Guerra e Sabedoria havia sido atingida pelo sono profundo de Hypnos propositalmente, para que Hades despertasse seu verdadeiro corpo e, assim, ela pudesse derrotá-lo de uma vez por todas.
O confronto entre os dois deuses é marcado por uma diferença ideológica. Hades não vê esperança nos humanos, que segundo ele são tolos, e afirma que a Terra só se mantém da maneira que está por conta do terror que ele criou com o que vem após a morte. Enquanto isso, Atena acredita na bondade e no amor dos seres humanos, e diz que é impossível viver sem matar uma vida sequer, mesmo que sem querer.
É uma cena com diálogos tão bem construídos que foi a primeira vez em que eu senti estar gostando genuinamente da personagem Atena.
Após o diálogo, Hades ataca Atena, mas antes que possa feri-la fatalmente, Seiya escapa da bolha e lança o deus para longe ao utilizar um Meteoro de Pégaso. No entanto, o protagonista é ferido mortalmente pela espada de Hades. Para mim, a principal cena da saga.
Depois disso, Atena, junto da ajuda de Shiryu e seus amigos, derrota Hades enquanto faz um belo discurso sobre o amor que os seres humanos possuem — e que o Imperador do Submundo não compreende. Também é a primeira vez em que vemos Atena, sempre pacífica, atacar um oponente. E é compreensível, afinal, é por uma razão genuinamente nobre.
Hades é derrotado, e Kurumada — a quem costumo criticar desde o post do anime para TV por não saber escrever finais — enfim entrega um desfecho satisfatório. O melhor possível.
Os Cavaleiros da Esperança, como Atena os chama, vencem a luta. Há uma comemoração, mas o clima que fica não é o de uma vitória total. O preço do confronto contra Hades foi, em partes, a vida de Seiya — que ficou entre a vida e a morte. (No anime não é confirmado, mas isso é mostrado em Next Dimension e no filme filler que se passa após a Saga de Hades). O Cavaleiro de Pégaso tinha um objetivo: ver sua irmã. Mas, mesmo que quisesse muito isso, abriu mão para salvar Atena e, consequentemente, a todos.
A luta contra Hades era aguardada há muito tempo e acontece em um só episódio — o último. Isso porque, na minha interpretação, o foco não era a luta em si, e sim o simbolismo por trás dela: a diferença entre as ideologias dos dois deuses, a força humana e do amor, e o sacrifício do guerreiro que deixou tudo de lado por um bem maior. Por isso, para mim, Elísios é o melhor arco de Cavaleiros do Zodíaco.
Outros elementos importantes
No post passado, eu fiz questão de ressaltar como todas as aberturas de Cavaleiros do Zodíaco eram maravilhosas. Dessa vez, não posso dizer o mesmo. A Saga de Hades possui três aberturas. A primeira, "Chikyuugi", é uma das minhas preferidas do anime em geral. Gosto dela tanto em português quanto em japonês.
Já as aberturas da Saga do Inferno e Elísios têm uma particularidade: são a mesma música, com apenas algumas cenas diferentes. Cheguei até a pensar que fosse um erro da versão brasileira, mas vi que no japonês acontece a mesma coisa. E, sinceramente, não gosto do tema em japonês — e acho pior ainda em português. É uma adaptação tão ruim, que termina com a frase “Eu vou lutar para sempre ser o Seiya” ???
Quanto ao restante da trilha sonora, ela continua excelente.A animação dos OVAs supera a da versão para TV, especialmente na Saga do Santuário. A qualidade é muito superior e há mais consistência no character design. Apesar disso, existem algumas poucas cenas em CGI que destoam do restante e, a partir da Saga do Inferno, voltam a surgir inconsistências no traço — mas nada tão recorrente a ponto de prejudicar a experiência.
Ainda sobre o character design, gostaria de destacar as armaduras divinas. A escolha estética e o uso das cores ficaram excelentes. Ao pesquisar, vi que as cores são diferentes no mangá (assim como aconteceu com o uniforme do próprio Seiya). Neste caso, gostei muito mais da versão animada.
Tá bom, mas a Saga de Hades é isso tudo mesmo?
Sim… e não. Hades é aclamado por muitos como a melhor saga de Saint Seiya e, como comentei ao longo do post, é cheia de altos e baixos. A Saga do Santuário tem um início excepcional e tinha potencial para ser o melhor arco de Cavaleiros do Zodíaco, mas sofre com uma reta final fraca. A Saga do Inferno é quase toda ruim, enquanto Elísios atinge o ápice da série. Por conta dessa montanha-russa de emoções e de problemas no próprio enredo, não acho que a Saga de Hades esteja tão acima assim da versão para TV. Ainda assim, vale a pena ser assistida e entrega o desfecho ideal para o anime.
E esse post enorme vai ficando por aqui. Agradeço a você que leu até o fim e te convido a deixar um comentário e compartilhar com um amigo. Até a próxima!