A farsa do “Original Netflix” nos animes

Nos últimos dias saiu uma notícia curiosa: o anime Dorohedoro, que por muito tempo parecia ser “exclusivo da Netflix”, chegou ao catálogo da Crunchyroll — e a nova temporada também será exibida por lá.


E aí vem a pergunta inevitável: se era “Original Netflix”, como ele simplesmente apareceu em outro streaming?

Essa situação mostra uma confusão que existe há anos no mundo dos animes: o selo “Netflix Original” muitas vezes não significa que a obra é realmente original da Netflix.



O que realmente é um “Original Netflix”

Existem casos em que o título de fato nasce como projeto da plataforma, com financiamento ou participação direta na produção.

Alguns exemplos são:

  • Devilman Crybaby
  • Cyberpunk: Edgerunners

  • My Melody & Kuromi


No caso de Devilman Crybaby, por exemplo, o anime foi desenvolvido especificamente para a plataforma e lançado mundialmente pela Netflix.

Esses são os casos em que o termo “original” realmente faz sentido: a obra foi pensada para estrear ali e a empresa participou do projeto.


Quando o “Original Netflix” não é original

O problema começa quando o selo passa a ser usado como estratégia de marketing.

Na prática, muitos animes recebem o rótulo apenas porque a Netflix comprou os direitos de exibição em determinados países ou por um período de tempo.

Ou seja:

  • o anime foi produzido por estúdios japoneses
  • exibido na TV japonesa normalmente

  • e depois licenciado pela Netflix

Mesmo assim, ele aparece com o grande “N vermelho” de Original.

Isso explica casos como:

  • Dorohedoro — que agora também está na Crunchyroll
  • Saint Seiya: Knights of the Zodiac — cuja primeira fase saiu na Netflix e depois continuou em outra plataforma

  • Violet Evergarden — produzido pelo estúdio Kyoto Animation e exibido no Japão antes da Netflix

Ou seja: não eram exatamente originais, apenas licenciados.


Por que isso acontece?

Existem alguns motivos para essa estratégia:

1️⃣ Marketing global
“Original Netflix” é um selo forte. Ele passa a ideia de exclusividade e de produção própria, mesmo quando a empresa apenas comprou os direitos.

2️⃣ Direitos regionais
Em alguns países o anime pode ser exclusivo da Netflix, mas em outros não.

3️⃣ Licenças temporárias
A Netflix pode ter os direitos por alguns anos — depois disso, o anime pode migrar para outros serviços.

4️⃣ Modelo do comitê de produção
No Japão, animes geralmente são financiados por vários investidores. Às vezes a Netflix entra nesse comitê, mas nem sempre é a principal produtora.


O efeito disso no público

Para quem acompanha anime, isso cria uma confusão enorme.

Muita gente acredita que:

  • a Netflix produziu o anime
  • a obra só existe por causa da Netflix

  • ou que ela sempre será exclusiva da plataforma

Mas basta passar um tempo e…
o anime aparece em outro streaming.

E de repente aquele “Original Netflix” deixa de ser tão original assim.


No fim das contas, o selo virou mais uma estratégia de distribuição do que uma definição real de produção.

Existem sim animes genuinamente feitos para a plataforma — e muitos deles são excelentes. Mas também existem vários casos em que o “Original Netflix” é apenas um rótulo bonito para um anime licenciado.

E exemplos como Dorohedoro mostram que, no mundo dos streamings, exclusividade quase sempre é só questão de tempo.

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