O Gourmet Solitário: mangá bom, anime excelente

 

Depois de seis anos desde o lançamento do mangá — e quase seis anos desde que publiquei esse post — finalmente comprei e li O Gourmet Solitário, de Jiro Taniguchi (O Homem que Passeia, Um Bairro Distante, O Diário do Meu Pai, etc.), publicado no Brasil pela editora Devir.

Sinopse

Com um paladar apurado, mas também apreciador dos pratos mais simples, o Gourmet Solitário perambula por restaurantes dos mais variados tipos, localizados tanto em zonas populares quanto em áreas mais afastadas. Ao longo de suas refeições, ele experimenta desde pratos sofisticados até comida caseira, sem deixar de lado barraquinhas de refeições rápidas e apetitosas.

Em cada uma das histórias acompanhamos o personagem por diferentes regiões de Tóquio e arredores, degustando pratos japoneses que despertam emoções e reflexões. Tudo isso nos transmite, com nostalgia e prazer, um pouco da vida no Japão através de sua cultura e gastronomia.

Recentemente — e com certa dificuldade pra encontrar os episódios — assisti também à adaptação em anime da obra, produzida pelo estúdio J.C. Staff. São 10 episódios curtos, com cerca de cinco a seis minutos cada, que usarei como comparação em alguns momentos deste texto. E já adianto: o anime é melhor.

Eu tinha grandes expectativas em relação a O Gourmet Solitário. Esperava encontrar uma obra-prima, muito por conta dos inúmeros vídeos e artigos que já havia lido sobre o mangá e seu autor, além do meu apreço por animes de culinária e pela gastronomia em geral.

Ao longo de seus 19 capítulos (18 histórias + 1 extra), Jiro Taniguchi entrega um enredo cotidiano — que pode soar entediante para parte do público —, mas que é, na prática, extremamente interessante. Acompanhamos o protagonista, Gorou Inogashira, visitando os mais diversos tipos de restaurantes: desde estabelecimentos simples, em bairros modestos, até locais mais “gourmet”, como quando ele experimenta pratos de um restaurante focado em comida natural.

Em muitos momentos, a sensação é a de que Gorou atua como um crítico gastronômico. Mas ele não é nada disso: trata-se apenas de uma pessoa comum que, nas pausas do seu trabalho como vendedor autônomo, para para comer. E nem sempre essa experiência é positiva.

Um bom exemplo é o capítulo 7, no qual ele vai comer takoyaki em um restaurante simples em frente ao hotel onde está hospedado. A comida é boa, mas os clientes são inconvenientes e completamente opostos à personalidade de Inogashira, o que lhe causa certo desconforto. 

Outro caso é o capítulo 12, quando ele pede um hambúrguer aparentemente delicioso em um restaurante de Tóquio, mas o comportamento ríspido e desagradável do dono com seu funcionário faz com que Gorou perca completamente o apetite. Como ele mesmo diz, a hora de comer é um momento de liberdade que não pode ser importunado por ninguém. Curiosamente, essa é uma das histórias que não foram adaptadas no anime.

E aqui faço uma pausa para destacar dois pontos: os pratos e aquilo que foi cortado na adaptação animada.

Como já mencionei, os pratos apresentados são visualmente apetitosos — todos, sem exceção

O trabalho artístico de Jiro Taniguchi é excelente ao longo de todo o mangá. Em alguns poucos momentos, sinto que a explicação detalhada sobre certos pratos acaba passando do ponto, mas esse seria um leve demérito a ser atribuído a Masayuki Kusumi, roteirista da obra. Algo que, no anime, flui de maneira muito mais natural.
Falando no anime, esse é o segundo ponto. Durante a leitura do mangá, me deparei com capítulos que abordam aspectos mais pessoais da vida de Inogashira, como a menção a um antigo relacionamento amoroso. Durante a leitura, cheguei a me perguntar por que esses elementos haviam sido cortados na adaptação. Ao finalizar, percebi que, de fato, eles não eram essenciais.

O anime opta por focar quase exclusivamente na experiência da comida e naquele momento específico da refeição. Soma-se a isso o uso de cores e uma trilha sonora muito bem escolhida, que contribuem enormemente para a ambientação. Por isso, considero o anime superior. Ao terminar o mangá, você sente que leu uma boa história, de forma satisfatória. Já no anime — ao menos na minha experiência —, você fica com vontade de continuar assistindo. É algo que eu facilmente veria por mais 100 episódios sem nenhum problema.

Ainda assim, ambas as versões valem a pena. A diferença é simples: o mangá está entre as boas leituras que já fiz, enquanto o anime está entre os melhores que já assisti.

Falando agora da edição física da Devir, ela é bastante competente, embora não seja perfeita.

O tamanho do volume é bom, e a sobrecapa é bonita. Já a capa em si me deixou na dúvida, mas talvez seja levemente melhor que a da Conrad, responsável pela primeira publicação do mangá no Brasil.

Outros dois pontos que deixam um pouco a desejar, mas não chegam a comprometer a experiência, são o papel, com um tom levemente amarelado, e a tradução. Esta é boa, mas poderia ser ainda melhor se houvesse notas de rodapé convertendo os valores dos pratos, apresentados em ienes, para reais.

No geral, O Gourmet Solitário é uma leitura que vale muito a pena. Vale também o aviso: o mangá costuma esgotar com certa frequência, e desta vez tive sorte de conseguir uma reimpressão. Na época de seu lançamento, ele custava R$ 45,00; hoje, é encontrado por valores que giram entre R$ 70,00 e R$ 85,00.


Daqui a alguns meses, inclusive, haverá um shorts sobre o anime lá no canal. Você pode se inscrever clicando aqui. Até a próxima!


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