Ano passado, decidi assistir à versão de 2003 de Fullmetal Alchemist e ao tenebroso filme que encerra essa história — The Conqueror of Shamballa. Mas só há alguns dias, vasculhando o MyAnimeList, me lembrei da existência de The Sacred Star of Milos, o filme filler de Fullmetal Alchemist: Brotherhood, um dos meus animes favoritos.
Na trama, em busca de um criminoso fugitivo, Edward e Alphonse Elric chegam à misteriosa cidade de Table City, onde acabam envolvidos na luta de um povo oprimido: os Milosianos. Lá, conhecem a jovem Julia e descobrem segredos ligados à alquimia proibida e à lendária Pedra Filosofal.
A proposta deste post é ser direto e evitar spoilers. Dito isso, The Sacred Star of Milos apresenta uma ideia interessante… no anime errado. Digo isso porque ele pouco acrescenta à narrativa de Fullmetal Alchemist: Brotherhood. É filler, eu sei — mas até filmes desse tipo costumam tentar desenvolver algo relevante. Alguns longas de One Piece são um bom exemplo disso.
O filme tem quase duas horas e, inicialmente, é cansativo. No entanto, ao final, dá pra entender — em parte — o motivo da duração. Ainda assim, ele poderia facilmente ter 20 ou 30 minutos a menos. O enredo se esforça para apresentar um novo povo e dar a ele algum desenvolvimento. Conhecemos a história do lugar, os conflitos e o porquê de lutarem tão ferozmente por sua nação.Um dos pontos altos do filme são as mensagens que ele carrega ao longo da trama: discriminação, críticas à guerra, ganância e corrupção. São temas que já haviam sido bem trabalhados em Brotherhood, mas que aqui foram reutilizados com competência. Afinal, isso faz parte da essência de Fullmetal Alchemist, pelo menos na minha visão.
Ainda assim, e apesar do início arrastado, o filme simplesmente não empolga. Você assiste sem grandes expectativas — algo que nunca senti assistindo ao anime e, com dificuldade, na versão de 2003. A única experiência parecida foi justamente com The Conqueror of Shamballa.
E como se não bastasse, os últimos 40 minutos deixam a desejar — especialmente os 20 finais, que são péssimos. Sem entrar em spoilers, o longa entrega um plot twist bem fraco e, logo depois, outro ainda pior. Nesse ponto, eu já estava pronto para dar uma nota baixíssima no MyAnimeList — não que isso importe, e nem irei citar a nota aqui. Felizmente, os minutos finais são bons.Após o clímax já resolvido, há uma breve cena no trem, com um diálogo entre os protagonistas, que consegue deixar uma boa impressão — ainda que dure menos de cinco minutos.No geral, achei o filme muito ruim. E ele reforça a dificuldade que o estúdio Bones tem em entregar um bom longa de Fullmetal Alchemist. Ele é melhor do que The Conqueror of Shamballa, mas isso não significa muita coisa. Ainda assim, consigo destacar três pontos positivos:
- As mensagens já mencionadas;
- Alguns personagens secundários, como o velho Gon;
- E principalmente, a animação, que pra mim é o grande destaque do filme.
Aliás, impressiona como um longa com uma animação tão bonita ganhou um pôster tão feio e sem apelo visual.
A escolha de trazer um novo character design foi excelente, e a animação em si é bastante fluida — em alguns momentos, me lembrou o trabalho primoroso feito em One Piece: Fan Letter.
Tendo dito tudo isso… até o próximo post!