Love Hina é justo — e isso não é um problema

 

Tem vezes que a gente encontra uma obra-prima por acaso. Outras vezes, assiste algo tão ruim que bate arrependimento. E também existem animes como Love Hina, que ficam exatamente no meio do caminho: são justos. E não, isso não é algo negativo.

Sinopse

Keitaro Urashima é um jovem que falhou repetidas vezes no vestibular para a Universidade de Tóquio, apesar de ter feito uma promessa na infância de que entraria lá junto de uma garota especial. Pressionado pela família a arrumar um rumo na vida, ele acaba se tornando gerente de uma antiga pensão administrada por sua avó — sem saber que o local agora é um dormitório exclusivamente feminino. A partir daí, mal-entendidos, situações constrangedoras e conflitos românticos passam a fazer parte da sua rotina.


O ecchi: funciona porque tem contexto

Love Hina carrega o rótulo de ecchi, e aqui vai um ponto importante: eu não sou exatamente fã do gênero. Mesmo assim, preciso reconhecer que o uso do ecchi aqui é surpreendentemente bem feito.

Diferente de muitos animes modernos que usam o ecchi como muleta — sem contexto, sem necessidade narrativa e só como apelo visual —, em Love Hina ele costuma surgir de forma acidental dentro da história, muitas vezes gerando humor em vez de constrangimento. Não é explícito, não é gratuito, e quase sempre serve à comédia. Dá, sim, pra chamar atenção sem ser apelativo — e esse anime prova isso.

Desenvolvimento de personagens (um dos maiores acertos)

Aqui eu preciso elogiar sem medo: o desenvolvimento dos personagens é real e consistente.

Keitaro começa como um completo fracassado aos olhos dos outros (e dele mesmo). Ele não entra na universidade durante os 24 episódios — e isso é ótimo. O arco dele não é sobre sucesso imediato, mas sobre amadurecimento: mais iniciativa, mais clareza sobre seus sentimentos e mais respeito pelos próprios sonhos.

A Naru, por sua vez, é muito mais do que a típica tsundere. A relação dela com o Keitaro evolui aos poucos, com conflitos, agressividade exagerada (sim, ele merece algumas) e, eventualmente, compreensão mútua. É um romance que cresce com o tempo, não por conveniência de roteiro.

E aí temos a Motoko. Vou ser direto: ela é insuportável no começo. A clássica personagem que odeia homens e resolve tudo na base da agressão. Mas o mérito do anime é que ele explica o motivo disso e trabalha essa questão. O desenvolvimento é tão bem feito que, no final, ela se torna minimamente suportável — o que, considerando o início, já é uma vitória.

Até personagens que começam muito mal, como a Sarah, ganham camadas e se tornam aceitáveis com o tempo.

Slice of life, comédia e ritmo irregular

Love Hina é um slice of life clássico. Isso significa episódios leves, divertidos e confortáveis… mas também alguns momentos monótonos. Nem tudo funciona no mesmo nível, e o ritmo oscila.

Por outro lado, a comédia é um dos pontos fortes. Quando acerta, acerta bem. Muitas situações funcionam justamente por causa do timing e do absurdo controlado.

Vale a pena assistir?

Vale, sim. Love Hina é um anime justo. Não é extraordinário, não é revolucionário, mas entrega o que promete:
✔ Romance
✔ Comédia
✔ Personagens que evoluem
✔ Um ecchi bem trabalhado
✔ Boa animação e character design, mesmo sendo antigo

É curto, leve, tem alguns plot twists interessantes (especialmente envolvendo a promessa do Keitaro) e garante boas risadas. Eu dei nota 7, e sustento isso sem dificuldade.

Nem todo anime precisa ser uma obra-prima. Alguns só precisam ser honestos — e Love Hina é exatamente isso.

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