O novo anime da Netflix é muito bom! (Kaguya: A Princesa Espacial)

O novo anime original da Netflix, Kaguya: A Princesa Espacial, se passa em Tóquio e no reino virtual de Tsukuyomi, um espaço digital onde as pessoas podem criar, sonhar e viver versões alternativas de si mesmas. É nesse contraste entre o mundo real e o virtual que conhecemos Iroha, uma estudante de 17 anos que vive sobrecarregada, dividindo seu tempo entre escola, trabalho e a pressão de simplesmente continuar seguindo em frente.

A rotina de Iroha muda completamente quando, no caminho para casa, ela encontra um bebê místico surgindo de um poste de luz iridescente. Em pouco tempo, essa criança cresce de forma acelerada e se revela como Kaguya, uma jovem enigmática que remete diretamente ao clássico conto japonês do Cortador de Bambu. A partir daí, o filme deixa claro que não se trata apenas de uma adaptação, mas de uma releitura moderna e futurista da lenda.
Dentro de Tsukuyomi, Kaguya passa a atuar como streamer e cantora, enquanto Iroha — quase sem perceber — assume o papel de produtora e compositora. Essa dinâmica entre as duas é o coração da narrativa. Mais do que sucesso online, o filme fala sobre como essas personagens tentam escapar de um destino pré-determinado, buscando um final diferente daquele imposto pela história original de Kaguya-hime.

Antes de entrar na análise mais profunda, vale pontuar algumas informações importantes. O filme tem pouco menos de 2h30 de duração, é totalmente original da Netflix e marca a estreia de Shingo Yamashita como diretor de longas-metragens. Os estúdios responsáveis são o Studio Colorido, conhecido por Burn the Witch, e o Studio Chromato, que faz aqui seu primeiro trabalho.

O enredo pode ser comparado a uma sopa bem servida: muitos ingredientes diferentes, mas que funcionam surpreendentemente bem juntos. O filme mistura música, com canções excelentes produzidas por nomes ligados ao universo Vocaloid; ação, especialmente nas batalhas dentro de Tsukuyomi; comédia, com momentos leves e genuinamente divertidos; e drama, que se concentra principalmente nos conflitos internos de Iroha e na relação construída entre ela e Kaguya.

Esse drama é um dos pontos mais interessantes da obra. Apesar de Kaguya carregar o mistério e o elemento fantástico, é Iroha quem ancora emocionalmente a história. Suas inseguranças, seu cansaço e sua dificuldade em se colocar em primeiro lugar tornam a personagem extremamente humana, criando um contraste forte com o brilho e a exuberância do mundo virtual.

O filme diverte, emociona e, acima de tudo, arranca sorrisos. Há, sim, uma certa oscilação nos cerca de 30 minutos finais, quando um elemento narrativo específico pode causar confusão ou estranhamento em parte do público. Ainda assim, a obra se recompõe rapidamente, volta aos trilhos e entrega um desfecho muito satisfatório, que fecha bem a jornada das personagens.

Outro destaque que merece ser mencionado é a dublagem, que está em nível altíssimo. As vozes combinam com os personagens, as emoções são bem transmitidas e o trabalho contribui bastante para a imersão, especialmente em um filme tão dependente de música e sentimentos.

No fim das contas, Kaguya: A Princesa Espacial vale a pena. É um anime que não tem medo de misturar gêneros, experimentar formatos e reinterpretar um clássico de forma ousada, sem perder o apelo emocional.

E agora fica a pergunta: você já assistiu ao filme ou ainda pretende dar uma chance?

(Shorts sobre o filme, lá do canal)

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