Prólogo do Céu: o ambicioso filme de Cavaleiros do Zodíaco.

Olá, leitor! Hoje venho falar sobre Prólogo do Céu: o ambicioso (e ruim) filme de Cavaleiros do Zodíaco.

Após a batalha contra Hades nas profundezas do inferno, os Cavaleiros defensores de Atena descansam em paz após anos de lutas. Porém Ártemis, irmã de Atena, pretende tomar o controle do planeta e eliminar os cavaleiros como punição por desafiarem os seres supremos

“Prólogo do Céu” já começa errado. Lançado em 2004, o longa se passa após a Saga de Hades — mas foi lançado antes da exibição do arco de Elísios, o verdadeiro desfecho do anime. Ou seja, o público assistia a um “próximo capítulo” sem sequer ter visto o final do anterior. Na época, apenas a parte do Santuário havia sido transmitida.

O roteiro é fraco, arrastado, e muitas cenas simplesmente não fazem sentido. Personagens surgem em lugares diferentes de forma abrupta, sem explicação. Em um momento estão num local, e no seguinte, em outro completamente distinto — como se fosse uma montagem apressada.

Um dos pontos mais criticados é o tom filosófico e existencialista. Não que não haja espaço para isso na franquia — a própria Saga de Elísios trabalha reflexões profundas, e elogiei isso na minha análise da Saga de Hades. Mas lá, esse tom é parte do todo, não o foco absoluto. Em Prólogo do Céu, o discurso sobre culpa, pecado e divindade engole a narrativa, deixando tudo lento, vazio e pretensioso.

A escolha de Shigeyasu Yamauchi como diretor (o mesmo do medíocre Dragon Ball: The Path to Power) e de Michiko Yokote para o roteiro não casou com o espírito de Saint Seiya. A dupla tentou entregar uma obra artística e reflexiva, mas esqueceu que a franquia é, acima de tudo, movida pela emoção e pela ação.

A devoção exagerada de Seiya e dos demais Cavaleiros por Atena é outro ponto incômodo. Entendo que isso já estava presente no anime, mas aqui atinge um nível absurdo: parece que nada mais importa além de Atena. Seiya sequer menciona sua irmã Seika, que nem é citada no filme — como se a roteirista simplesmente tivesse esquecido de sua existência.

Os Guerreiros Celestiais (ou “anjos”) são personagens completamente sem carisma. O único que chama minimamente a atenção é Ícaro, que tem uma conexão com outro personagem já conhecido (mas vou evitar spoilers).

Mas mesmo isso é mal aproveitado. Sua lógica de que, ao derrotar Seiya, se tornaria mais poderoso que um deus (já que o Cavaleiro de Pégaso o fez) é simplesmente estúpida.

Quanto aos deuses: Atena volta a ser desinteressante e chata, perdendo toda a evolução que havia conquistado em Elísios.

Artemis é apática

Apolo — o suposto grande antagonista — é um dos piores elementos do filme. Ele aparece apenas no final, é arrogante, raso e... irrelevante.

O desfecho é um desastre. Quando a luta entre Seiya e Apolo está prestes a começar, o filme corta abruptamente para uma cena final desconexa, que não explica nada e só confunde ainda mais. É um encerramento sem impacto, sem conclusão e, acima de tudo, sem sentido.

Conclusão

"Prólogo do Céu" é o típico exemplo de quando ambição e pretensão artística ultrapassam a essência do material original. Ao tentar transformar Saint Seiya em uma obra filosófica e contemplativa, o filme se desconecta completamente do que torna a franquia cativante: o drama emocional, os laços entre os personagens, a mitologia envolvente e, claro, as batalhas épicas.

Mesmo com uma animação visualmente bonita e trilha sonora competente, nada disso sustenta um roteiro fraco, personagens descaracterizados e um ritmo entediante. É um filme que tenta ser profundo, mas soa vazio. Tenta ser simbólico, mas é apenas confuso.

No fim das contas, o cancelamento da planejada trilogia celestial acabou sendo um alívio. Prólogo do Céu não só falha como continuação, mas também como filme isolado. Para quem é fã da série, é uma experiência frustrante. Para quem não é, pode até ser um repelente. Um prólogo que, ironicamente, não leva a lugar algum.

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